Entrevista com Pablo Lorenzano

Lorenzano em sua residência. Foto: Rafael Yohai

Foto: Rafael Yohai

O filósofo da ciência Pablo Lorenzano, da Universidade Nacional de Quilmes — cuja especialidade é a filosofia da biologia — concedeu uma interessante entrevista ao jornal argentino Página/12, intitulada “Pensando en la Biología”.

Lorenzano estará  no Brasil nos meses de Outubro e Novembro de 2011, ministrando um ciclo de seminários no Departamento de Filosofia da USP. Nesse período ele também fará uma conferência na Universidade Federal do ABC. Maiores detalhes serão postados em breve aqui no blog.

Ele é co-organizador de Desarrollos actuales de la metateoría estructuralista: Problemas y discusiones (volume cujo esplêndido ensaio introdutório está disponível online), e autor de Geschichte und Struktur der klassichen Genetik (História e estrutura da genética clássica). Dois artigos bem representativos do seu estilo filosófico são “Leyes fundamentales y leyes de la biología” (2007) e “Inconmensurabilidad teórica y comparabilidad empírica: El caso de la genética clásica” (2008). O seu blog disponibiliza textos valiosos: a visita é altamente recomendada.

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Exercício feito na aula de 29/06

Identificar a estrutura do argumento baseado em uma passagem da Primeira Jornada do Discurso sobre duas novas ciências de Galileu (fonte: Alec Fisher, A lógica dos verdadeiros argumentos, pp. 184-185).

Conclusão a ser demonstrada: a tese da física aristotélica de que os corpos caem com velocidades proporcionais ao seu peso leva a uma contradição e deve ser rejeitada.

Estrutura do argumento:

0. O pressuposto do argumento é que cada corpo em queda possui uma “velocidade natural” que lhe é própria. Então o corpo mais leve possui uma velocidade “natural” menor do que a do corpo mais pesado.

1. Suposição inicial: os corpos caem com velocidade proporcional ao seu peso. [Assim, p.ex. um corpo com 8 unidades de massa (u.m.) se moveria com 8 unidades de velocidade (u.v.), ao passo que um corpo com 4 u.m. se moveria com 4 u.v.]

2. De (1) se segue que, se um corpo for formado pela união do corpo mais pesado com o mais leve, a velocidade de queda do corpo composto será proporcional à sua massa total. [Neste exemplo, 12 u.m. e 12 u.v.]

3. Então o corpo composto cairá mais rápido do que o corpo mais pesado sozinho.

4. Mas também de (0) e de (1) se segue que o copo mais pesado será retardado pelo mais leve a ele agregado, e também que o mais leve será acelerado pelo mais pesado. [Então, no exemplo considerado, a velocidade teria que ficar entre 4 u.v. e 8 u.v.]

5. De (4) se segue que o corpo composto cairá mais lentamente do que o corpo mais pesado.

6. Mas entre (3) e (5) existe uma contradição.

Conclusão: Logo, a suposição inicial (1) e o pressuposto (0) devem ser rejeitados: os corpos não possuem velocidades “naturais” intrínsecas e não caem com velocidades proporcionais ao seu peso.

Um comentário adicional: A física de Galileu, como se sabe, vai mostrar que os corpos caem todos com o mesmo movimento uniformemente acelerado, independentemente da sua massa. Por isso dois corpos em queda, um mais pesado e um mais leve, chegam juntos ao chão, e o mesmo acontece com o corpo formado pela união dos dois.

Exercício feito na aula de 22/06

Identificar a estrutura do argumento presente em um excerto da Apologia de Sócrates.

O argumento de Sócrates visa estabelecer a seguinte Conclusão: “A morte é algo bom”.

Estrutura do argumento:

É certo que algumas dessas premissas — como a (1) e a (3), por exemplo — poderiam merecer maior discussão quanto à sua plausibilidade. Porém, é preciso distinguir entre:

  • a questão da validade dedutiva do argumento

e

  • a questão da verdade ou aceitabilidade das premissas

Neste momento, estamos interessados primeiramente na estrutura dedutiva do argumento e na sua validade. Se nós aceitarmos as premissas (1) a (6), então a conclusão se segue necessariamente.