Filosofia e Filosofias no Renascimento

O Colóquio “Filosofia e Filosofias do Renascimento” será realizado no início de 2013, em data ainda a ser fixada, organizado pelos professores Eduardo Kickhöfel (Unifesp-Guarulhos), Antônio Valverde (PUC-SP) e Fábio Bertato (Unicamp).

A proposta do evento é interessante: procurar discutir o Renascimento “em seus próprios termos”, fazendo um esfoço intelectual para distanciar-se, na medida do possível, das fronteiras disciplinares tipicamente contemporâneas. Trata-se, em vez disso, de tentar situar as análises segundo classificações e inter-relações dos saberes que sejam o mais próximas possível daquelas vigentes na época.

No Renascimento, já começavam a ocorrer distanciamentos importantes em relação a uma estruturação do saber de tipo, digamos, aristotélico; por outro lado, ainda não se consolidara o processo vertiginoso de fragmentação e especialização do conhecimento que caracterizaria a Modernidade. Daí a singularidade epistemológica desse período. Um exemplo: as relações entre arte, ciência e técnica eram pensadas de maneiras profundamente diferentes daquelas típicas do século XVII ou do século XX.

O colóquio deverá ter três eixos principais: “Filosofia teórica”, “Filosofias prática e produtuiva”, “Legado e estudos”. A novidade prática é que o Prof. Eduardo criou um blog ligado ao evento, visando prepará-lo e criar uma atmosfera intelectual propícia à discussão, com intercâmbio de textos, imagens, prévias das apresentações, etc.

Como se sabe, nas últimas décadas, temas tais como interdisciplinaridade, convergência de saberes, as relações entre ciência, arte e tecnologia, historiografia, o estatuto do conhecimento histórico, o problema do anacronismo, pós-modernidade e pós-pós-modernidade não deixaram de frequentar os círculos e as publicações acadêmicas e culturais. No momento atual, lançar um olhar sistemático e cuidadoso sobre o Renascimento, além de poder perfeitamente ser um fim em si mesmo (particularmente para os especialistas na área), também pode contribuir para colocar em perspectiva esses debates contemporâneos, e ainda — porque não dizer — para pensar aquele período fascinante, culturalmente e intelectualmente efervescente, e relativamente ainda pouco estudado, no qual já não éramos mais antigos e “ainda” não éramos modernos. (As aspas na palavra “ainda” servem como um lembrete para que nos guardemos de anacronismos whig.)

Particularmente instrutivo é o post “Uma nota a respeito de disciplinas“. A proposta completa do evento e o programa preliminar também estão disponíveis.

(Obrigado ao Prof. Kickhöfel, docente de Filosofia do Renascimento da Unifesp-Guarulhos, pela indicação.)

Astronomia e interdisciplinaridade

No ano passado, foram publicados pela Astronomical Society of the Pacific os Proceedings de um simpósio realizado em Veneza em 2009,  The Inspiration of Astronomical Phenomena VI, comemorando os 400 anos do uso do telescópio por Galileu.

Os autores participantes do simpósio, de natureza verdadeiramente interdisciplinar, trataram de aspectos da ciência, vida e obra galileanas; de temas tradicionais de história da astronomia; também foram focalizadas as relações entre astronomia e arte, música, e literatura; astronomia, religião e culturas antigas e tradicionais; e ainda astronomia e ensino. Confira o sumário neste link.

Na seção sobre Galileu, as observações telescópicas de 1609-1610 são discutidas sob variados aspectos. Na seção sobre astronomia e arte, há interessantes análises de obras de artistas plásticos, do passado e do presente, que trabalharam com temas astronômicos. Há também estudos sobre a música e a teoria musical na época de Gaileu — inclusive em sua família, pois o Galilei mais bem conhecido como músico era seu pai Vincenzo Galilei. (A propósito, uma tese sobre a teoria musical de Vincenzo acaba de sair no Brasil — Vincenzo Galilei contra o número sonoro, de Carla Bromberg, ed. Livraria da Física).

A boa notícia é que a publicação original (Astronomical Society of the Pacific Conference Series, Vol. 441), que estava disponível para compra em http://www.aspbooks.org/a/volumes/table_of_contents/?book_id=492, está agora disponível em acesso livre através do NASA/Smithsonian Astrophysics Data System, no endereço:

http://adsabs.harvard.edu/cgi-bin/nph-abs_connect?ref_stems=ASPC..441&jou_pick=YES&return_req=no_params&end_year=2012

Obrigado a Robert Van Gent e Giancarlo Truffa pela indicação, via HASTRO-L.

Revista Scientiae Studia em destaque

O Jornal da USP publicou (n. 970, 19 de agosto de 2012) uma matéria sobre periódicos acadêmicos brasileiros que dá destaque à Scientiae Studia – Revista Latino-Americana de Filosofia e História da Ciência (ISSN 1678-3166).

Esta é uma publicação classificada como Qualis A2 (disponível também no SciElo) que conta, tanto na comissão como no conselho editorial, com forte participação de docentes da UFABC (incluindo este seu criado).

Leia mais em http://espaber.uspnet.usp.br/jorusp/?p=24146

I Encontro de Bacharelados Interdisciplinares

Será realizado nos dias 5 e 6 de junho, na Universidade Federal do ABC, o 1º Encontro Nacional dos Bacharelados Interdisciplinares, com objetivo de discutir e avançar nas bases da Proposta de Inovação Curricular do Plano de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais.

O encontro reunirá cerca de 50 Universidades Públicas Federais, por meio dos seus Reitores, Pró-Reitores, Coordenadores de Curso e Alunos, além de vários especialistas do MEC.

Consulte a programação, formulário de inscrição e outras informações no site da UFABC.

Primeiro Encontro de Arte & Tecnologia da UFABC

Nos dias 18 e 19 de abril de 2012 ocorrerá na UFABC o Primeiro Encontro de Arte & Tecnologia, envolvendo os principais representantes da área no país.

Um dos objetivos deste evento é iniciar uma ampla discussão sobre o tema e sobre criação de um terceiro Bacharelado Interdisciplinar.

Ao final do segundo dia, há um espaço para que a comunidade de fora manifeste a suas opiniões. Confira a programação.

[Fonte: Profa. Graciela Oliver]