Notas Finais – PC e NDCM

Estão disponíveis as notas e conceitos finais das disciplinas de Pensamento Crítico e Nascimento e Desenvolvimento da Ciência Moderna.

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Textos sobre Revolução Astronômica

Andreas Cellarius, gravura da Harmonia Macrocosmica

Andreas Cellarius, gravura da Harmonia Macrocosmica ilustrando o sistema copernicano

O primeiro texto a ser lido na disciplina de Nascimento e Desenvolvimento da Ciência Moderna, dentro da unidade referente à Revolução Astronômica, é “O escopo da Astronomia comparado com o da Física”, de Geminus de Rodes (trad. do Prof. Osvaldo Pessoa Jr., da USP).

O texto-base para o estudo da Revolução Astronômica dos séculos XVI e XVII será o capítulo 5 do livro de Paolo Rossi, O nascimento da ciência moderna na Europa (disponível na Biblioteca).

O texto para fichamento é “As etapas de cosmologia científica” de Alexandre Koyré.

O programa de pesquisa de Galileu

Recuperando a aula do dia 25/11/2010

Principais dimensões do programa de investigação científica de Galileu:

Dimensão física:

  • Nova ciência do movimento local (Discorsi)
  • Crítica à física aristotélica

Dimensão cosmológica:

  • Defesa do copernicanismo e do movimento da Terra (Diálogo)

Dimensão astronômica:

  • Descobertas telescópicas (Sidereus Nuncius) [ver os slides]

Dimensão metodológica:

  • Defesa do uso do telescópio
  • Mecanicismo
  • Matematização do estudo da natureza (O ensaiador) [texto lido em aula]

Dimensão epistemológica:

  • Distinção entre qualidades primárias e secundárias
  • Redefinição da relação entre teoria e experimento (ver Einstein, “Sobre o método da física teórica”, in: Como vejo o mundo, pp. 146-149) [texto distribuído em aula]

Dimensão axiológica:

Dimensão metafísica (ontológica):

  • Atomismo (ver as explicações galileanas para o calor, som, cheiro e sabor, nos slides)

Galileu e o telescópio

Atividade 2 da disciplina de NDCM: Escrever um pequeno trabalho (entre 2 e 5 páginas de texto) desenvolvendo o tema dos argumentos contra e a favor do uso astronômico do telescópio por Galileu Galilei. (Este tema já começou a ser discutido na aula do dia 18/11.) Preste atenção para fazer as atribuições históricas corretas. Tenha o cuidado de distinguir aqueles argumentos que foram efetivamente formulados por Galileu e seus contemporâneos e aqueles que são extrapolações atuais que nós podemos formular ou reconstruir hoje em dia.

Eis alguns textos que poderão dar subsídios para a realização desta atividade (alguns deles fazem parte da bibliografia da disciplina):

ÉVORA, Fátima. “A descoberta do telescópio: Fruto de um raciocínio dedutivo?”. Caderno Catarinense de Ensino de Física, v. 6, n. 4, pp. 3-48, 1989 (Outro link aqui)

MARICONDA, Pablo. “Galileu a e ciência moderna”. Especiaria – Cadernos de Ciências Humanas (UESC-BA), v. 9, n. 16, pp. 267-292, 2006. (Outro link aqui)

VIDEIRA, Antônio A. P. As descobertas astronômicas de Galileu Galilei. Rio de Janeiro: Vieira & Lent, 2009. (ISBN:  978-85-88782-61-7)

FEYERABEND, Paul. Contra o método. Trad. por Cezar Augusto Mortari. São Paulo: Editora Unesp, 2007. (Há outras edições em português e espanhol desta obra disponíveis aqui.)

ÉVORA, Fátima. A revolução copernicano-galileana. Vol. II – A revolução galileana. 2a.ed. Campinas, SP: Centro de Lógica, Epistemologia e História da Ciência (UNICAMP), 1994. (Coleção CLE, Vol. 4)

CHALMERS, Alan. A fabricação da ciência. Trad. por Beatriz Sidou. São Paulo: Editora da Unesp, 1994.

KUHN, Thomas S. A revolução copernicana, pp. 234-239. Trad. por Marília Costa Fontes. Lisboa: Edições 70, 2002. (A edição em inglês também está disponível aqui.)

MARICONDA, Pablo & VASCONCELOS, Júlio. Galileu e a nova física. São Paulo: Odysseus, 2006.

James Evans fala sobre os detratores de Ptolomeu

«Os autores populares que escrevem sobre história da astronomia freqüentemente demonstraram antipatia por Ptolomeu e sua teoria planetária. Naquele estilo melodramático que frequentemente se cultiva, Ptolomeu e seu avô intelectual, Aristóteles, são tratados como vilões em uma história na qual os heróis são Copérnico, Brahe e Kepler. Os cronistas modernos da ciência que a descrevem como uma guerra entre adversários procuraram denegrir Ptolomeu ridicularizando o seu sistema. Dúzias de livros poderiam ser citados, porém bastará um exemplo. Rudolf Thiel, depois de descrever a combinação ptolomaica de epiciclo e eferente, bem como os três centros — a Terra, o centro do deferente e o ponto equante – admite que o modelo foi bem-sucedido enquanto modelo matemático. Ele começa, então, a consignar as suas queixas:

“Mas o que aconteceu com o todo, com a cosmologia grega? Os planetas agora viajavam em loops, isto é, em torno de um ponto imaginário que, por razões desconhecidas, girava, ele mesmo, em torno da Terra. Porém mesmo esse ponto imaginário não girava exatamente em torno da Terra; o centro da sua circunferência era um segundo ponto imaginário, próximo da Terra. Visto que isso também ainda não resultava em um movimento uniforme, fazia-se necessário um terceiro ponto imaginário, a partir do qual o movimento parecia ser uniforme!

Tal era o quadro final de Ptolomeu; esta, a última palavra da astronomia grega. Puro nonsense! Que rendição da mente humana, aceitar tal espécie de mecânica do universo. Que miserável final para a harmonia das esferas.”

– R. Thiel, And There Was Light (New York: Mentor Books, 1960), p. 60. Publicado originalmente em alemão com o título Und Es Ward Licht (Hamburgo: Roswohlt Verlag, 1956).

Este é um caso extremo de uma atitude bastante comum, que continua a existir a despeito dos protestos dos historiadores da ciência. A prevalência dessa visão resulta, pelo menos em parte, da dificuldade real para se obter uma compreensão sólida das funções desempenhadas pelos vários elementos do modelo de Ptolomeu. Com relação a isso, o deferente excêntrico e, especialmente, o ponto equante são os mais problemáticos. É óbvio que o epiciclo é adotado para dar conta do movimento retrógrado; já a função do equante não é tão transparente. Contudo, na realidade, todas as características do modelo de Ptolomeu nascem de forma bastante natural de considerações acerca das retrogradações dos planetas.»

– James Evans, “On the function and the probable origin of Ptolemy’s equant” [Sobre a função e a provável origem do equante de Ptolomeu], American Journal of Physics, v. 52, n. 12, 1984, p. 1080.

Novas (e longas) respostas aos comentários no blog

Pessoal, finalmente terminei de redigir as repostas aos comentários feitos no blog. Versam principalmente sobre dois temas: (1) o método e a natureza do saber histórico e (2) os avanços recentes na filosofia do tempo.

https://filosofiadacienciaufabc.wordpress.com/2010/10/12/exemplos-de-anacronismos-em-historia-da-ciencia/#comment-5

https://filosofiadacienciaufabc.wordpress.com/2010/10/12/maquinas-do-tempo-e-a-natureza-do-conhecimento-historico/#comment-6

https://filosofiadacienciaufabc.wordpress.com/2010/10/12/maquinas-do-tempo-e-a-natureza-do-conhecimento-historico/#comment-7